sábado, 17 de dezembro de 2011

Na Natureza Selvagem

Um filme baseado em fatos reais tem o poder de prender a nossa atenção. O efeito é bem maior do que numa obra ficcional. E Filmes como Na Natureza Selvagem (Into The Wild, EUA, 2007) nos fazem refletir. Não só pelo fato de carregarem a insígnia da realidade. 

O longa-metragem do diretor Sean Penn nos diz bastante sobre a condição humana e as concepções distorcidas transmitidas pelas regras sociais.

Trata-se da história de Chris McCandless, jovem que decidiu largar tudo e deixou-se tomar pelo “chamado da natureza”. Um rapaz talentoso e promissor, de família abastada, com notas suficientes para fazer Direito na Universidade de Harvard. O que parece ser muito para qualquer um, para ele não era nada. Viver, no seu entendimento, é bem mais do que seguir os parâmetros oferecidos por uma sociedade que castra e estanca.

Posses? Sucesso? Dinheiro? Poder? Ele joga fora tudo isso por um ideal que ostenta a bandeira da Liberdade. Quantos teriam essa coragem?

Para um filme de mais de duas horas de duração, “Na Natureza Selvagem” não cansa. A honestidade dos sentimentos do protagonista, que muda o nome para “Alexander Supertramp”, faz com que aceitemos participar dos instantes de sua vida até último minuto, mesmo sabendo de antemão que não teremos um final dos mais felizes.

Em seu conceito libertário, Na Natureza Selvagem lembra Easy Rider – Sem Destino, clássico do final da década de 60. Em ambos existe a comprovação dos limites sociais e da desvalorização da individualidade.
Quantos se esquecem de suas próprias vidas diante das facilidades de uma época que nos engana com um poder de comunicação que a todo instante nos cala? E onde a integridade dos pensamentos foi embora numa época onde “o lucro” tornou-se necessidade fisiológica.

Na Natureza Selvagem aborda esses conceitos e nos permite um olhar mais apurado segundo o prisma da estagnação endêmica que corrói esse paradigma. Para confrontar esse sistema é preciso ter espírito desprendido e uma espiritualidade que sobressai os conceitos tradicionais das religiões. E o filme de Sean Penn é belo, pois nos dá essa sensação de comunhão entre o homem e a natureza.

Comentário publicado na Revista Papangu

Um comentário:

Danilo Craveiro disse...

Realmente esse filme nos faz refletir profundamente. É um dos filmes que mais gosto! Parabéns pelo blog, abraços.