segunda-feira, 8 de setembro de 2008

O Sentido da Vida

Piada inteligente é aquela que independe do tempo para funcionar. Mais precisamente, é aquela que ainda surte algum efeito, mesmo depois de se tornar pública. É atemporal. Funciona hoje e pode voltar a ter relevância em outro momento.


Fazer humor dessa maneira é bem difícil. Especificamente nessa era de pouca substância ideológica e excesso de referências irrelevantes. E as esquetes cômicas penam, majoritariamente, por essa ausência de conteúdo e a urgência de fisgar o espectador de forma rápida e atordoante.

É por isso que, mais de vinte anos após o seu lançamento, filmes como "O Sentido da Vida", do grupo inglês Monty Phyton, continuem atuais. Ridicularizar a vida e seus pormenores, adicionando massa cinzenta à receita, era uma característica desse grupo que, ainda hoje, consegue renovar nosso ânimo, fazendo-nos gargalhar de coisas que já conhecíamos.

Nesse "Sentido da Vida", a trupe observa o trabalho mecanizado e "escravizador" das grandes empresas, o pensamento sistemático das religiões e visões de mundo, a educação presa a um sistema que visa limitar o indivíduo, os exageros de uma população viciada numa alimentação industrial nada saudável, o nascimento, a morte e, até, nossa perspectiva lúdica do pós-vida.

Inteligentemente, e de forma satírica, obtendo reflexão e uma sensação prazerosa de bem-estar. É a atualidade e universalidade dos temas quem garante vida longa a esse "Sentido da Vida".

Avaliação: 9,5

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Meu Nome é Taylor, Drillbit Taylor!

Comédia sem-graça protagonizada por Owen Wilson, Meu Nome é Taylor, Drillbit Taylor (2008) mostra, mais uma vez, a rivalidade das escolas norte-americanas entre nerds e populares. Tema malhado que já teve dias bem melhores.

Nesse filme dirigido por Steven Brill três adolescentes se vêem em situação embaraçosa quando um dos fortões populares da escola (Alex Frost) começa a pegar no pé do trio de forma insistente.

A maneira escolhida pelos garotos é contratar um guarda-costas. Owen Wilson, desempregado e sem-teto, surge na parada como Drillbit Taylor, currículo de agente secreto e preço acessível.

Há uma ou outra piada que vale a pena em Drillbit Taylor, como o "treinamento" de defesa e algum momento constrangedor enfretado pelos nerds. O que é pouco, para um filme que propõe risos a partir do desenvolvimento da sinopse.

Em vez de acelerar nas piadas, Drillbit Taylor, automaticamente, segue a fórmula do mau-caráter arrependido e da redenção final, onde os erros do passado são esquecidos, os "vilões" são castigados e os mocinhos terminam numa boa. Falta de ousadia que tornará Drillbit Taylor mais um filme esquecido nas prateleiras das vídeo-locadoras assim que findar o frisson do seu lançamento.

Avaliação: 2,0