Posted In: . By Raildon Lucena

TIN MAN – A NOVA GERAÇÃO DE OZ

Filmes marcantes como O Mágico de Oz (1939) são atemporais. Sempre são lembrados e referenciados, quando pensamos no gênero, nos personagens ou na própria história do cinema. Revisitar tais filmes é, portanto, um bom negócio.


Tin Man – A Nova Geração de Oz foi lançado nessa esteira. Feito para a TV, seu alvo é o mercado doméstico e as locadoras de DVD. Utilizando boa campanha de divulgação, promete retornar ao universo de OZ dando nova roupagem à trama, velha conhecida do público.

Essa menção ajuda no decorrer da aventura que tem Zoey Deschanel na pele da “garota” do Kansas que, é levada ao mundo de O.Z. por um tufão. Outrossim, Deschanel não parece ser a escolha ideal para protagonizar a história. Deslocada e inexpressiva, sua interpretação não rende quando preciso. Falta o encantamento e credibilidade que dá o diferencial esperado desse programa.

Seus companheiros, Homem-de-Lata, Espantalho e Leão Covarde recebem nova paginação, bem como as seqüências da passagem pela estrada dos tijolos amarelos e a cidade de esmeraldas. Os riscos, calculados, inovam sem manter distância do material original. Afinal, quem se interessa por Tin Man não quer mais do que regurgitar o que já conhece.

Avaliação: 6,5.

 

Posted In: . By Raildon Lucena

AWAKE - A VIDA POR UM FIO

Filme pequeno com idéia curiosa, mas mal desenvolvida. Awake - A Vida Por um Fio é passatempo irregular.

O roteiro coloca em celulóide uma idéia que já deve ter passado pela cabeça de muita gente: e se, durante uma cirurgia, a anestesia apenas deixasse você paralisado, porém ciente de tudo o que está ocorrendo? Se você teve uma breve sensação de agonia, é isso mesmo que esse filme pretende passar.

Hayden Christensen é um ricaço de 22 anos que precisa fazer um transplante de coração. Ao seu lado estão a mãe protetora (Lena Olin), o médico gente fina (Terrence Howard) e a namorada perfeita (Jessica Alba).

Ele resolve casar subitamente, quando a mãe rejeita sua noiva. No outro dia, o coração de um doador chega para coroar aquela sensação de que "tudo está indo bem". Contudo, quem já é tarimbado nos clichês dos filmes americanos sabe bem que, quando tudo parece perfeito, a tempestade se aproxima.

E esse dilúvio vem em plena mesa de cirurgia. A anestesia, como já foi dito anteriormente, não faz efeito completamente e o paciente sente e ouve cada passo médico do ato cirúrgico. Chega a ser desesperador. Imaginar aquela sequência acontecer na vida real. O filme afirma que acontecer coisa desse tipo é raro mas possível, deixando qualquer um com o coração acelerado e os fios do cabelo em riste.

Para piorar a vida do personagem, imobilizado, ele descobre um clima de conspiração para dar cabo de sua vida.

A trama, promissora, poderia ser melhor conduzida. Entretanto, o clima de claustrofobia e paralisia são amenizados e o sentido investigativo, quando o protagonista descobre cada passo da traição a que foi submetido, deixam Awake - A Vida Por um Fio arrastado e sem graça no segundo tempo. Nada que uma direção mais ousada resolvesse.

Avaliação: 6,0

 

Posted In: . By Raildon Lucena

AS CRÔNICAS DE SPIDERWICK

Filmes de Fantasia ganharam novo ânimo com os dólares (milhões) acumulados de O Senhor dos Anéis. Um filão renovado surgia no horizonte. Muitos filmes foram produzidos nessa leva como As Crônicas de Nárnia, Eragon, Desventuras em Série e A Bússola de Ouro.

Até aqui, nenhum desses atingiu o coeficiente da saga de Tolkien, tão bem orquestrada por Peter Jackson. No máximo, bateram na trave, caso de Nárnia.

As Crônicas de Spiderwick também surgiu com esse propósito. Pegar carona no novo público sedento por aventuras épicas, inspiradas em livros, com criaturas estranhas e crianças protagonistas.

Fez sucesso relativo. Nada de arrasa-quarteirão. Faturou 162 milhões de dólares, mundiais, para um custo de 90 milhôes. Mas a (boa) história, diferentemente de outros filmes desse gênero, dá liga, principalmente por realçar o fator humano.

O filme começa com um pesquisador escrevendo suas revelações num livro. Oitenta anos separam esse passado do presente onde um garoto (Freddie Highmore) e sua família chegam para morar numa casa abandonada no meio do nada. Uma Mansão Adams, como diz um dos personagens.

Em pouco tempo, o protagonista, relutante com a nova vida, descobrirá que aquela casa guarda segredos de criaturas fantásticas que habitam as redondezas. O Bem versus o Mal será o mote da trama, com os vilões (monstros em forma de anfíbios e répteis) tentando roubar o tal livro que revela informações importantes.

Esse quiproquó, frequentes em histórias desse tipo, fica interessante pelos problemas familiares que o protagonista terá que aprender a enfrentar. Ausências sentidas, perdas e reencontros dão o mote, tornando As Crônicas de Spiderwick um programa visualmente bonito e humanamente tocante.

Avaliação: 8,0.

 

By Raildon Lucena

COMO SERIA UM TERREMOTO NA VISÃO DO PRODUTOR DE LOST?

O produtor de Lost, J.J. Abrams, planeja um filme sobre "terremotos". A informação talvez não tivesse tanta importância se estivéssemos falando de outros nomes. Filmes dessa temática (desastre) frequentemente seguem regras óbvias e deixam mais espaço para a pirotecnia dos efeitos gráficos e e estrondo do sistema de som. Servem para impressionar, resumindo a história.

Abrams, antenado com o público pós-moderno, é sagaz em criar espetáculos instingantes e atiçar a curiosidade do público, como fez em Cloverfield - Monstro. Nesse filme, víamos como seria a destruição de Nova Iorque, por uma inexplicável criatura, sob a ótica de pessoas comuns e suas máquinas caseiras de filmagem.

Sendo assim, um projeto sobre "terremoto" com a assinatura de Abrams pode render algo além de diversão pop. A conferir.

 

By Raildon Lucena

BRITNEY, TARANTINO E AS JOGADAS DE MARKETING

São muitas as técnicas para revitalizar a carreira de quem está em baixa. Plantar informações de impacto na Imprensa é, certamente, uma das melhores estratégias. Mesmo que elas sejam falsas. Lembram do ditado? “Falem mal, mas falem de mim!”.

Pois bem, nos últimos dias muito se falou na participação de Britney Spears no próximo projeto de Quentin Tarantino, o remake Faster Pussycat! Kill! Kill!, de 1965.

Nele, a dublê de atriz faria uma stripper lésbica em história banhada de sangue e sexo.

Contudo, os agentes de Britney logo afirmaram que ela prefere continuar se dedicando à música. Ou seja, foi tudo mentirinha jogada nos meios de comunicação para dar uma guinada na combalida carreira da artista.

Aí, vem a questão: adiantou especular sobre a participação da cantora num longa-metragem do velho Quentin? E como! A estampa Tarantino agrega valor. Participar de um dos seus filmes é atingir um público pop, mezzo hardcore, que gosta de verborragia, ação sem vergonha e referências ao universo globalizado.

A participação de Britney nesse projeto, ou não, deve ser avaliado em todas as variantes possíveis, vendo se seu público-alvo aceitaria essa participação e se uma nova fatia do público abriria as portas para a cantora. Negar, agora, é deixar o espaço livre para negociações e avaliar como tudo repercutiu. Marketing puríssimo!

 

Posted In: . By Raildon Lucena

MÚMIA NÃO SUPERA BATMAN NAS BILHETERIAS

Pelo terceiro final de semana seguido, Batman – Cavaleiro das Trevas domina as bilheterias americanas. Mais 43 milhões de dólares foram adicionados ao caixa. No total mundial, o filme se aproxima dos 600 milhões.




Nem a estréia de A Múmia – Tumba do Imperador Dragão foi páreo para arrancar a pole position do filme do homem-morcego. A franquia de Brendan Fraser até ensaiou uma vitória, mas acabou ficando com a vice-liderança. Juntando as arrecadações mundiais, essa terceira aventura da Múmia chegou aos 100 milhões de dólares.

A crítica não recebeu bem A Múmia, dando apenas 10% de comentários positivos no Rotten Tomatoes, que avalia os filmes em cartaz. O que é um resultado absurdamente pífio. Será que já temos a grande bomba do ano?

 

Posted In: . By Raildon Lucena

ESTÔMAGO

É fácil ser conquistado pelo estômago. Por ele, você também morre. Estômago (Brasil, 2007), primeiro filme do diretor Marcos Jorge, fala um pouco sobre isso, ao mesmo tempo em que faz um retrato, em forma de sátira, dessa sociedade antropofágica, onde a sobrevivência reside com os que não hesitam em devorá-la.

O filme segue a trajetória de Raimundo Nonato (João Miguel). Nordestino, recém-chegado ao Sudeste em busca de trabalho e uma vida melhor. Num botequim de subúrbio ele pede água e um salgado, tendo que lavar os pratos para pagar a despesa. Termina contratado, ou melhor, explorado pelo dono do local que, no lugar de pagamento, oferece comida e dormida, “sem benefícios”.

Ainda companhamos Nonato em outra linha temporal chegando a uma prisão e pensando sobre o nome que deve adotar para não passar maus bocados por lá. “Nonato Canivete”, no seu entender, pode impor respeito. Está enganado. Seus dotes culinários serão os responsáveis por sua ascensão na cadeia, mesmo que isso represente, futuramente, “dormir no beliche de cima”.

Ingênuo, Raimundo Nonato é desses tipos que não faz mal a uma mosca. Sua dedicação ao trabalho no bar faz com que ele seja contratado como cozinheiro num refinado restaurante da região. Aprende a escolher os melhores produtos e a apreciar vinhos e gorgonzola. Nonato também nutre um amor mal-correspondido pela prostituta Iria (Fabíula Nascimento), que é obcecada por comida.

Inebriado pela inspirada trilha musical, Estômago, até pelo tema, lembra o amor pela comida demonstrado na animação Ratatouille (2007) com a genial esquisitice dos filmes de humor negro.

Agradável e meio estranho de se ver, Estômago explica, afinal, como um cara talentoso e, aparentemente, de tão boa índole foi parar na cadeia. Contudo, essa acaba sendo uma das explicações do filme, não sua idéia principal, que é balizar as diversas camadas que compõem nossa personalidade a partir dos ditames do estômago.

Belo exemplo do cinema independente nacional.

Cotação 9,0

 

Posted In: . By Raildon Lucena

VIAGEM AO CENTRO DA TERRA

Imaginar um filme inspirado na obra de Júlio Verne requer um sentido épico que parece não ter eco nas rápidas produções feitas nos dias de hoje.

Veja o exemplo desse novo Viagem ao Centro da Terra ao usar a tecnologia 3D (três dimensões) para contar a história de exploradores de um mundo inexplicável existente sob o subsolo terrestre.

O senso de aventura e de suspense, certos de brindar o espectador com uma aventura genuína, são trocados pelas sensações oferecidas na fartura de imagens. Não a mera imagem comum aos nossos olhos. Mas aquela encantadora com coisas e situações inimagináveis.
Uma menção criativa a Verne, poderia até ser dito. Entretanto, há uma artificialidade literalmente saltitante aos nossos olhos, mais alto até que as criaturas urrantes e ferozes ou as correrias insistentes, tônicas dessa Viagem.

Nesse cenário, Brendan Fraser, da franquia A Múmia, é o elemento humano ideal para esse tipo de sessão aventuresca onde a imagem e o som são, evidentemente, os principais atores desse panteão.

Fazendo um cientista de porte heróico e tipicamente fanfarrão, rir das situações mais absurdas por que ele e sua trupe passam são o melhor antídoto para o tédio de uma história transeunte às nossas vistas sem explicar bem o porquê.

Sina de um filme feito, exclusivamente, para produzir breves sensações.

Cotação 5,5

 

By Raildon Lucena

BATMAN BATE NOVO RECORDE DE ARRECADAÇÃO

Mais 75 milhões de dólares foram adicionados neste final de semana ao caixa de Batman - Cavaleiro das Trevas. O filme de Christopher Nolan parece caminhar para a maior arrecadação do ano. Só nos EUA já acumula 314 milhões.

Com méritos. O último longa-metragem de Heath Ledger (é assim que será lembrado) é emblemático ao delimitar um novo parâmetro para filmes de super-heróis. Basicamente o que o Batman de Tim Burton fez no final da década de 80. Vai ser difícil não colocar Batman - Cavaleiro das Trevas como a bússola que norteará as próximas adaptações de heróis de quadrinhos.

Sobre a interpretação de Ledger e sua comparação com o Coringa de Jack Nicholson, cada uma desempenha papel importante na forma de se ver filmes de heróis. Nicholson é mais persona cinematográfica. Aquele cara que sabe se divertir trabalhando. Já Ledger foi ideal para o cinismo e a dubiedade de nossa era. No mais, duas interpretações memoráveis.

 

Posted In: . By Raildon Lucena

MEU MONSTRO DE ESTIMAÇÃO

Meu Monstro de Estimação (The Water Horse: Legend of the Deep, EUA/Inglaterra) é desses filmes que promovem a interação entre crianças e animais. Nada de cachorros, gatos ou porcos.

O "bichinho" por aqui é ninguém menos do que o Monstro do Lago Ness, mítica criatura da Escócia. Se o tal monstro existe ou existiu, não dá para saber. Mesmo assim, os dizeres iniciais afirmam se tratar de uma história real.

A aventura se passa em plena segunda guerra mundial. Conhecemos o garoto Angus MacMorrow (Alex Etel). Solitário, logo sabemos de alguns de seus medos como o de entrar no mar. A ida de seu pai para a guerra é outro de seus traumas. Mesmo assim ele sempre está por lá. Ocasionalmente, nas suas andanças ele encontra um ovo. Dele, sai uma criaturinha que ele batiza de Crusoé.

Por se tratar de um local estratégico, sua casa se torna base para os soldados que lutam contra os nazistas. Crusoé, então, volta para seu habitat: o Lago Ness. Somos cientes de que, posteriormente, haverá um embate entre o monstro e esse regimento. O que culminará no clímax do filme.

O filme de Jay Russel é bonito de se ver e os efeitos visuais para a criação de Crusoé são convicentes. As cenas onde o garoto e o monstro interagem são tocantes e demonstram a inocência e o encanto dos filmes do gênero.

Além da típica aventura familiar, Meu Monstro de Estimação é sobre o vazio que tentamos preencher durante a vida. Angus encontra em Crusoé o preenchimento para a ausência do pai. Uma falta que ele só descobre no final do longa-metragem quando sua mãe (Emily Watson) revela que o pai jamais voltará. Uma mensagem triste, mas inexoravelmente edificante.

Cotação 6,5