sexta-feira, 31 de outubro de 2008

As Duas Faces da Lei

Thriller policial investigativo, As Duas Faces da Lei (2008) de Jon Avnet promove-se como o duelo de titãs da temporada. É um filme que tem como protagonistas Robert De Niro e Al Pacino. E esse encontro, de acordo com o marketing do longa-metragem, seria o bastante para gerar a atração do grande público cinéfilo.

De Niro e Pacino já se confrontaram em Fogo Contra Fogo (1995) de Michael Mann. Contudo, apesar dos 171 minutos de projeção, os dois tiveram poucos momentos juntos em cena. Nesse As Duas Faces da Lei eles, praticamente, contracenam na grande maioria das seqüências.

A overdose comprova o carisma dos astros, mas também desmascara a estratégia apelativa do diretor Avnet em contar uma história que poderia render melhor, se não servisse somente, e exclusivamente, para o duelo interpretativo de De Niro e Pacino.

No filme, um assassino está limpando as ruas de Nova Iorque, eliminando os meliantes que a polícia não consegue dar conta. O serial killer deixa poemas nos locais dos crimes e, ao que tudo indica, ele pode vir a ser um policial.

O roteiro até que tenta enganar o público. A dúvida sobre a identidade do criminoso recai sobre, pelo menos, quatro personagens. Contudo, quem conhece bem os meandros dos filmes comerciais de Hollywood, dificilmente, cairá na armadilha proposta por Avnet. O final-surpresa típico dessas produções é tão presente neste As Duas Faces da Lei que, quando a solução vem à tona é impossível não declamar um “eu já sabia!”.

Esse lugar-comum acaba resultando num produto frouxo e, possivelmente, refém de engravatados da indústria do cinema que somente viram cifras quando pensaram em produzir um filme com a presença de Robert de Niro e Al Pacino.

Jon Avnet estreou da direção com o sensível Tomates Verdes Fritos (1991). Dirigiu ainda A Árvore dos Sonhos (1994), Íntimo e Pessoal (1996) e 88 Minutos (2007).

Avaliação: 4,0

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Overdose de Indiana Jones!

OVERDOSE DE INDIANA!

A chegada de Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal em DVD foi um motivo e tanto para rever os outros filmes desse que é um dos maiores ícones do cinema mundial.


Já refeito da comoção provocada pelo novo longa-metragem do personagem, quase vinte anos depois de sua última investida no cinema com A Última Cruzada, é possível fazer uma comparação entre os quatro filmes do herói vivido por Harrison Ford.

E vamos aos comentários do Observatório de Cinema.

CAÇADORES DA ARCA PERDIDA (1981)

Clássico em cada fotograma, Caçadores da Arca Perdida é desses filmes marcantes que sabem se comunicar com o público-alvo.

Logo de cara, o longa-metragem de Steven Spielberg cria um RG identificável por qualquer leigo ou cinéfilo, em todo o planeta. Harrison Ford, o chapéu de feltro e o chicote se tornariam símbolos marcantes para uma geração que recebia, sem saber ainda, a melhor representação viva da aventura em celulóide.

O filme parece que se movimenta em cada cena que pomos o olho. Seja nas sombras que se debatem, nos sussurros da floresta ou nas seqüencias de ação, orquestradas pela inesquecível trilha de John Williams. Caçadores da Arca Perdida ainda é referência paras os filmes de ação de hoje, daí sua longevidade.

Cotação: 10,0

Indiana Jones e o Templo da Perdição

Os traços exóticos são bem mais acentuados nesse segundo filme de Indiana Jones. O filme mantém o espírito da obra, mas realça esse ponto, de acordo com matérias publicadas na imprensa, refletindo a vida pessoal do produtor George Lucas. Simplesmente macabro!

Diferentemente das críticas positivas de Caçadores, Templo da Perdição levou algumas bordoadas por exibir estereótipos da cultura da Índia e abusar de cenas especialmente fortes, como rituais pagãos onde corações são literalmente arrancados e crianças são escravizadas.

Fora essas turbulências, Templo da Perdição repete o espetáculo visual e a sensação de que a história está sempre se movimentando. Vale também pelo pavor de Kate Capshaw (mocinha em perigo) ao se deparar com as esquisitices mostradas no decorrer do filme e por um Harrisson Ford mantendo o padrão impetrado em Caçadores.

Cotação: 8,5

Indiana Jones e a Última Cruzada

A integração de Sean Connery como pai de Indiana Jones trouxe de volta o aspecto mais leve das histórias do professor de arqueologia. Aqui, o objeto procurado é o Santo Graal, que daria o poder da imortalidade a quem o encontrasse.

A trama começa com um prequel, trazendo River Phoenix (já falecido) como o jovem Indiana Jones. Em poucos minutos, descobrimos o porquê do medo que o personagem tem por cobras e sua convivência afastada do pai. Depois a ação toma conta do filme até o final espirituoso, onde Indiana precisa enfrentar desafios fantásticos para se reconciliar com seu pai.

Indiana Jones e a Última Cruzada termina com uma emblemática cavalgada em direção ao sol poente, como se a equipe imaginasse que aquela fosse realmente a derradeira história do personagem nas telas do cinema.

Cotação: 9,0

O Reino da Caveira de Cristal

O filme mais aguardado do ano, até então, não correspondeu às expectativas dos cinéfilos mais exigentes. O roteiro, capenga todo, não conseguiu dimensionar o que se queria ver numa nova trama envolvendo o famoso personagem.

Misturar extraterrestres, guerra fria e arqueologia pareceu meio indigesto, num produto sonolento, em alguns momentos, e que aspira emplacar o ator Shia Labeuf (intérprete do filho de Indiana Jones) como seu sucessor.

Apesar dos erros, O Reino da Caveira de Cristal valeu por trazer Harrison Ford de volta ao seu papel mais marcante na sétima arte. Segundos antes de sua primeira apresentação, o frio na barriga se transforma em alegria, como se revíssemos um parente querido que já não encontrávamos há bastante tempo. Só essa saudade fez o filme faturar 783 milhões de dólares nas bilheterias planetárias.

Imaginem se o filme fosse bom!

Cotação: 7,0

Crítica: Jogos de Amor em Las Vegas

O Problema da grande maioria das comédias românticas  é a previsibilidade de sua estrutura narrativa. Por mais que se tente fugir dos chavões, esse gênero, quase que invariavelmente, termina sem surpreender. Ou seja, cumpre uma função pré-delimitada de divertir, sem outras pretensões.

Jogos de Amor em Las Vegas (What Happens in Vegas, EUA, 2008) é isso aí. Até que diverte por um bom tempo, mas quando chega ao final, cede à velha e desgastada fórmula de sempre.

Joy (Cameron Diaz) e Jack (Ashton Kutcher) moram em Nova Iorque. Vão até Las Vegas com seus amigos para esquecerem as recentes decepções. Ela levou um baita fora do namorado. Ele foi demitido pelo próprio pai por excesso de irresponsabilidade no trabalho.

Casualmente, todos ficam no mesmo quarto. Para reparar o erro, o hotel dá vários bilhetes para uma noite de diversão sem fim. Depois de muito álcool, Joy e Jack acordam “casados”. Logo descobrem que não se suportam.

O caldo entorna quando Jack fatura 3 milhões de dólares com uma moeda jogada no ar por Joy e, mais a frente, um juiz moralista os condena a viverem seis meses como marido e mulher para aprenderem a respeitar os bons costumes de antigamente.

Essa acaba sendo a verdadeira graça de Jogos de Amor em Las Vegas. Diaz e Kutcher são naturalmente engraçados e as várias situações que cada um provoca para irritar o outro geram piadas hilárias. Não fosse o final xarope, seria um filme melhor.

Avaliação: ★1/2