domingo, 25 de dezembro de 2011

Crítica: Guerreiro

Como é bom se surpreender com um filme que você não espera lá muita coisa. É justamente essa a sensação transmitida pelo eficiente "Guerreiro": a de que você acabou de ver um longa-metragem de forte apelo dramático que oferece uma competente história de redenção familiar, tendo como palco os ringues de um torneio de MMA.

Em "Guerreiro", as sequências de pancadaria não são, simplesmente, exibicionismo visual, mas parte essencial da trama. Os seus personagens vão bem além dos seres unidimensionais, típicos das histórias desse naipe. São seres humanos reais, delineados pelos dissabores da vida.

A história é centrada nos irmãos Tommy (Tom Hardy) e Brendan (Joel Edgerton). Filhos de pai alcoólatra (Nick Nolte), eles se afastam levando, consigo, a amargura de um lar destruído pelo vício. 

Anos depois, Tommy retorna à Pittsburgh (cidade natal) e pede ao pai que o treine para um torneio, o que não significa bem um retorno ao seio familiar. É simplesmente um treinamento. 

Sem saber da volta do irmão, Brendan, que enfrenta problemas financeiros, pois está prestes a perder sua casa, também volta aos ringues. Obviamente, eles deverão se reencontrar na referida competição. A separação os afetou e as coisas já não são mais como eram antes. De certa forma, o filme também é um reflexo da atual crise financeira, vivida pelos EUA.

Como que por camadas, o roteiro vai preparando o terreno até termos todas as peças montadas no tabuleiro para o embate final. Geralmente, nesses filmes, a trama se volta para o protagonista que consegue superar seus medos e vencer última luta. É, portanto, bastante comum direcionar o foco das atenções. "Guerreiro" faz diferente. Cada personagem tem a sua motivação pessoal, o que deixa a resolução mais aberta. 

O que ambos têm em comum é a situação mal resolvida com o pai (Nolte), que tenta manter-se sóbrio para reconquistar o afeto dos filhos. A metáfora das "lutas", aliás acontece de forma bem resolvida, nos diversos parâmetros da trama, que sejam nos ringues ou no complexo drama vivenciado por essa família.

As lutas deixam marcas físicas. Contudo, o filme prova que as cicatrizes internas são bem mais difíceis de curar. E é com essa densidade dramática que "Guerreiro" se firma como uma experiência poderosa, que merece ser apreciada por quem gosta de acompanhar uma boa história.

2 comentários:

Celo Silva disse...

Raildon, Guerreiro é um dos bons filmes de 2011. Parabéns pelo texto, delineou muito bem as principais nuances da história. Conheci teu blog só agora, mas fiquei fã, tenho um projeto q vai acabar esse ano, mas ano q vem tem blog novo na area, voltarei aqui para divulgar para vc.

Abração!

CJR disse...

Curti muito esse filme. É um excelente filme no qual mostra os dramas, dilemas, altruísmo, traumas e superação de cada personagem. Porem na minha opinião, a forma q fora focadas as lutas do Tommy e as do Brendan deu um "ar fictício" no final . Sparta é o nome dado ao torneio, no qual tinha 16 lutadores e era quase uma luta atras da outra. As lutas de Tommy era rápidas, concisas e objetivas e os oponentes eram literalmente massacrados sem ao menos acertar um golpe. Já as lutas de Brendan, eram longas, cheias de altos e baixos, sofridas, pesarosas e seus oponentes dando muito trabalho até serem vencidos. OK, resumindo e indo direto ao ponto. LUTA FINAL: Tommy(invicto com vitórias fáceis e rápidas, INTACTO e SEM TOMAR UM GOLPE SEQUER) vs Brendan ( invicto com vitórias extremamentes sofridas, PÓ DA RABIOLA e TER APANHADO MAIS DO Q GATO NO SACO). Quais as possibilidades de vitória do Brendan tendo em vista um campeonato como aquele, onde não há tempo para a recuperação física do atleta ???

Mas tirando isso, o filme é perfeito !!!!