quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Crítica: EXistenZ


EXistenZ (1999) é um código provocativo, sem a preocupação de ser produto de fácil entendimento. David Cronemberg, que escreveu e dirigiu o longa, define sua opinião sobre as consequências dessa era de comunicações instantâneas, avaliando seus efeitos sobre uma plateia sedenta por experimentações. 

O filme na verdade é um simulador que lembra o ambiente virtual Second Life, criado em 2003. Uma espécie de rede social com pessoas que assumem uma segunda vida.

No filme, a demonstração de eXistenZ revela um certo fascínio ilógico, como uma febre multimídia. Há um atentado contra a vida da designer do jogo (Jennifer Jason Leigh). Ela foge com a ajuda de um segurança (Jude Law). Na fuga, eXistenZ pode ser sido danificado e eles precisam testa-lo para verificar se isso realmente ocorreu.

O que é feito através de uma bio-porta, espécie de elo com a espinha dorsal por onde o equipamento é instalado. Esse implante é feito no mercado negro, às escondidas.

Quando jogado, eXistenZ revela um mundo alternativo, bastante parecido com o nosso. Contudo, essa semelhança é absorvida com a percepção de que a realidade está interligada ao ficcional, como uma simbiose onde o que classificamos enquanto Alfa, na nossa mente se enxerga Beta, e o que vemos ocasionalmente no meio celulóide difere de uma visualização mais usual do que pensamos.

Se há uma quebra de paradigmas em eXistenZ, os personagens também não se portam segundo rígidas regras determinantes. A jogadora veterana sugere que o novato se deixe levar pelos acontecimentos, independente do que esses puderem acarretar. O transe virtual, proposto por Cronemberg, denota a condição de jogador que se permite incorporar àquela distração, assumindo um posto de desvio de personalidade ou ação segundo o perfil normativo daquele espaço-tempo.

Até a última instância eXistenZ desfia fina ironia. Quando, afinal, conhecemos o que é real, descobrimos apenas mais uma porta para um vasto labirinto. Sua provocação vem por meio de um deslumbramento com essa parafernália tecnológica e suas possibilidades interativas.

David Cronemberg de certa maneira antecipa os efeitos radiativos de um processo de comunicação esquizofrênico, onde a sociedade se esconde sob pseudônimos em comunidades virtuais, mensageiros instantâneos ou bisbilhotando os shows de realidade da TV. Uma existência incompleta, onde a vida perde a essência ao sucumbir sob as artimanhas eletrônicas de eXistenZ.

Crítica publicada na Revista Papangu

Um comentário:

Alisson disse...

Nossa, esse filme é "estranho".Quando você acha que esta entendo tudo mudo e no final, eu boiei completamente. Acho que não se tarta de um filme de fatos, mas sim de teorias