terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Crítica: A Montanha dos Sete Abutres

O diretor Billy Wilder construiu, na década de 50, uma destruidora alegoria sobre a mídia, que é facilmente aplicável nos dias de hoje. O filme A Montanha dos Sete Abutres (Ace In The Hole, 1951) mostra como um repórter (Kirk Douglas) manipula toda uma situação trágica em busca de uma reportagem para tirá-lo de sua vida monótona e, com isso, alcançar a fama.

Toda a situação se desdobra em cima de um acidente. Um homem que fazia escavações fica preso numa mina e Charles Chuck Tatum (Douglas) que fazia matérias triviais no local vislumbra a chance de ouro de dar uma guinada na sua combalida carreira. Sua ação imediata é passar as informações do ocorrido para o pequeno jornal que trabalha. Um furo de reportagem que se espalha por todo o país.

Tatum consegue fazer contato com esse homem. Descobre até que seria possível minimizar seu sofrimento. Mas quando uma equipe de resgate orienta sobre qual a melhor maneira de salvá-lo, o jornalista manipula toda a conjuntura a fim de prorrogar aquele momento.

Jornalistas e curiosos de toda a parte logo se alojam nas proximidades da montanha para extrair o máximo de informações, as quais Tatum possui controle e monopólio. Wilder, sabiamente, monta um picadeiro de circo, com a exploração da comoção popular, a venda de bugigangas temáticas e até a criação de uma trilha sonora. Um espetáculo antropofágico de cobertura sensacionalista que tem como meta a obtenção de dividendos e a orientação das massas.

A Montanha dos Sete Abutres mostra a facilidade de desviar a atenção do público segundo as conveniências dos meios de comunicação. Hoje, esse efeito midiático é bem mais poderoso com os recursos instantâneos de propagação das notícias. Redes de televisão conseguem transmitir em tempo real casos como o seqüestro de Eloá, acompanhados ostensivamente por um público sedento por novos espetáculos. Divulgando de forma minuciosa os pormenores da ação e a vida completa daqueles personagens da vez.

Essa mesma platéia não hesita em abandonar aquele material, quando outro mais sensacional toma a atenção e mais rápido ainda é o esquecimento. Atualmente, pouco se fala no caso Isabela Nardoni. Na época, a dissecação detalhista do caso chegava a provocar ojeriza, banalizando toda uma problemática chocante que virou hit do Youtube e provocou a formação de várias comunidades de discussão no Orkut.

Esse jornalismo fast-food dura enquanto há a devida atenção. Quando a poeira baixa, os holofotes se voltam para a exploração de outros assuntos, até que surjam novas Isabelas ou Eloás no caminho.

A discussão proposta neste A Montanha dos Sete Abutres é pertinente e atual. Óbvio que a Mídia só divulga de acordo com a fome do seu público. Mas será que essa platéia não foi treinada, ao longo do tempo, de buscar o novo, o “sensacional”. Ou será que essa curiosidade mórbida faz parte da própria condição humana?

Independente disso, o filme de Billy Wilder, pelo menos, é uma obra ficcional que ri de toda essa situação. Na vida real, contudo, a desgraça alheia não tem a mínima graça.

Avaliação: ★1/2

domingo, 18 de janeiro de 2009

Próximos lançamentos...

Até final de fevereiro, esses filmes serão lançados nos cinemas brasileiros. Vários deles devem, inclusive, aparecer na lista do Oscar.
Confiram:
AUSTRÁLIA
Sinopse:
No norte da Austrália, pouco antes do início da Segunda Guerra Mundial, uma aristocrata inglesa herda um rancho do tamanho de uma cidade. Quando barões ameaçam tomar suas terras, ela se junta a um bruto vaqueiro para guiar as mais de duas mil cabeças de gado de sua criação através do país. A jornada os leva a Darwin, local prestes a ser bombardeado pelos japoneses.
Observação: Austrália vem fracassando nas bilheterias. E atuações, como a de Nicole Kidman, são bastante criticadas.
SIM, SENHOR
Sinopse:
Jim Carrey volta à comédia no papel de Carl Allen, um homem que se recruta num programa de auto-ajuda baseado num único princípio: dizer "sim" para tudo e qualquer coisa. No começo ele fica maluco e isso vira sua vida de cabeça para baixo. Mas logo ele começa a perceber infinitas possibilidades.
Observação: Muitos comparam este Sim, Senhor ao filme O Mentiroso, também com Carey. Quem quiser originalidade visite outra praia.

FOI APENAS UM SONHO
Sinopse:
Jovem casal (Leonardo DiCaprio e Kate Winslet) que vive no subúrbio de Connecticut, durante os anos de 1950, luta para lidar com seus problemas pessoais enquanto tentam criar os dois filhos de forma digna. Adaptação do romance escrito por Richard Yates.
Observação: Kate Winslet faturou dois Globos de Ouro, nesta última edição. O que deve reforçar seu nome na corrida do Oscar.

GRAN TORINO
Sinopse:
Eastwood vive um veterano da guerra da Coréia, racista e arrogante. Quando o seu vizinho asiático tenta roubar o seu Gran Torino 1972, ele resolve dar uma lição no garoto, mas a família do rapaz o ajuda por viver sozinho e não manter relações com ninguém.
Observação: Clint Eastwood na direção já é motivo suficiente para ver Gran Torino no cinema.

THE SPIRIT
Sinopse: Denny Colt (Gabriel Macht) é um ex-investigador novato da polícia que, misteriosamente, retorna do mundo dos mortos. Sob o alter-ego de Spirit ele combate o crime, se aproveitando das sombras de Central City. Um de seus inimigos é o Octopus (Samuel L. Jackson), que deseja destruir a cidade em sua busca pela imortalidade.
Observação: O trailler desse filme é colorido, o visual é exagerado e levou bordoada nas bilheterias. Mesmo assim, pode ser boa sessão da tarde. Ou não!

MILK - A VOZ DA IGUALDADE Sinopse: ´Milk - A Voz da Igualdade´ é a cinebiografia de Harvey Milk (1930-1978), político norte-americano que assumiu sua homossexualidade publicamente nos anos 70, sendo o primeiro homossexual assumido a ser eleito a um cargo público nos Estados Unidos. No ano seguinte, Milk foi assassinado por um adversário de carreira política desconsolado com a perda nas urnas.
Observação: Sean Penn está cotado para faturar mais um Oscar pelo papel de Harvey Milk. O filme vem sendo elogiado. É esperar para ver!

O CASAMENTO DE RACHEL Sinopse: O Casamento de Rachel acompanha a história de Kym (Anna Hathaway), uma garota problemática que volta para sua casa no casamento da sua irmã Rachel (Rosemarie DeWitt), após passar um tempo em uma clínica de reabilitação. Ela traz com ela uma longa história de crises pessoais, conflitos familiares e tragédia.
Observação: Desde o meio do ano passado, Anne Hathaway vem sendo lembrada para prêmios pela interpretação neste filme.

OPERAÇÃO VALQUÍRIA
Sinopse:
Gravemente ferido em combate, o general alemão Claus von Stauffenberg retorna para a África para se juntar à resistência alemã e ajudar a criar a Operação Valkyrie, um complexo plano que irá permitir a substituição de Hitler no poder assim que ele estiver morto. O destino e as circunstâncias fazem com que Stauffenberg se torne uma peça central na missão.
Observação: A dúvida em Operação Valquíria é se o filme procura fazer um relato consistente da tal operação ou se é apenas veículo para Tom Cruise ganhar respeito.

SEXTA-FEIRA 13 Sinopse: Grupo de pessoas quer reabrir um acampamento para crianças com deficiências. Mas eles vão encontrar pelo caminho um assassino que vai matando-os um a um.
Observação: Filmes como Sexta-Feira 13 já não assustam mais. Esse remake do longa original, no máximo, deverá atrair fãs de Jason e plateia desavisada.

A PANTERA COR-DE-ROSA 2 Sinopse: Em ´A Pantera Cor-de-Rosa 2´, o Inspetor Clouseau (Steve Martin) precisa se juntar a um grupo de detetives igualmente excêntricos, vindos de diversos países da Europa, para deter uma onda criminosa continental.
Observação: O primeiro filme era engraçado, mas nunca saia do mais ou menos. Nesta segunda parte, a impressão é praticamente a mesma.
FROST/NIXON
Sinopse:
Adaptação da montagem teatral escrita por Peter Morgan, a história conta como foi a dramática entrevista do presidente americano Richard Nixon ao apresentador de TV britânico David Frost logo após o escândalo político de Watergate, em 1972.
Observação: Frost/Nixon chama a atenção pelo seu conteúdo político e jornalístico. Mesma expectativa criada em Boa Noite, Boa Sorte.

PAGANDO BEM, QUE MAL TEM?
Sinopse:
A vida não tem sido fácil para Zack (Seth Rogen) e Miri (Elizabeth Banks), amigos de longa data que dividem um quarto e uma montanha de dívidas. Depois de terem a água e a luz cortadas, eles têm a idéia de fazer um filme pornô caseiro para ganhar dinheiro rápido, e selecionam alguns amigos para ajudá-los.
Observação: Quando lançado, gerou expectativas. Agora, alguns comentários afirmam que Kevin Smith continua sem rumos. Será?

Fonte: Cinemark

sábado, 17 de janeiro de 2009

O Filho de Chucky


Lixo pode rimar com cinema. Essa ideia vem desde os tempos de Ed Wood. E, convenhamos, quem não gosta do bom e velho cinema-lixo?


Chucky, o Brinquedo Assassino, é protagonista de um desses eternos seriados de horror dos EUA que, por aqui, já está na quinta edição. Com O Filho de Chucky (2004) o aspecto macabro dos primeiros filmes foi jogado na latrina. A ironia e a referência se sobressaíram, construindo um tipo de produto macabramente engraçado que começou com A Noiva de Chucky (1997), homenagem ao clássico de James Whale A Noiva de Frankenstein (1935).

O Filho de Chucky mostra o rebento do boneco assassino, que ganha a vida trabalhando com um ventríloquo. Ele cresceu longe dois pais e na TV ocasionalmente os reconhece. Eles estavam hibernando, dormindo ou coisa parecida. O filho, que leva o sugestivo nome de Shitface, pratica magia negra e os traz de volta à vida.

Esta macabra reunião familiar trará sérias consequências aos humanos que estão nas redondezas. Problemas, em especial, para a pseudo-atriz Jennifer Tilly que pena interpretando papéis secundários em filmes bobocas. Seu sonho é alcançar o estrelato. Para tanto, não titubeia em conhecer os sofás disponíveis.

Tiffany (a mulher de Chucky) a considera uma grande atriz e bota na cabeça que precisa incorporar no seu corpo. Entre mortos e feridos, Chucky e Tiffany entram em contradição familiar, naquela baboseira de dar bom exemplo ao filho que revela, numa sequência bizarra ter sexo indefinido. Referência direta a Glen ou Glenda (1953) de Ed Wood. A piada aqui é tratar a psicopatia dos bonecos como um tipo de vício.

Se a idéia de um brinquedo assassino cheira a idiotice, com essa roupagem o sarcasmo de Chucky se tornou mais evidente e a franquia até ganhou fôlego para outras aventuras. Reinventar-se é a sacada. E no caso do cinema-lixo, reciclar é uma boa ideia.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Relembrando as bombas do cinema!

Nesta sessão do Observatório de Cinema, vamos relembrar algumas das maiores bombas já protagonizadas pelos astros do cinema.
Will Smith - As Loucas Aventuras de James West (Wild Wild West, 1999)

Hoje ele é o cara. Qualquer bobagem (Hancock) que ele põe a mão enche os cofres dos estúdios. Também provou seu talento dramático em filmes como Ali e A Procura da Felicidade. Mas, convenhamos, As Loucas Aventuras de James West bem que poderia ser riscado do currículo do rapaz. A história é estapafúrdia, os vilões são caricaturais e os efeitos especiais imponentes só tornam a trama mais chata do que já é. O filme é tão ruim que nem quando exibido na TV se torna suportável. O filme conquistou cinco Framboesas de Ouro.

John Travolta - A Reconquista (Battlefield Earth, 2000)

Quentin Tarantino trouxe John Travolta de volta aos holofotes com Pulp Fiction – Tempo de Violência. O astro de Embalos de Sábado a Noite andava meio por baixo, fazendo filminhos bem inexpressivos. Tanto esforço para reconquistar o respeito, tomou uma baita ducha fria com a ficção-científica A Reconquista que, na época, recebeu diversos Framboesas de Ouro e uma bilheteria vergonhosa. A história mostra a terra mil anos no futuro. Uma raça alienígena, os Psyclos, escravizaram os humanos. Travolta é o líder alien que é desafiado pelo mocinho Barry Pepper. Repare no figurino de escola-de-samba de A Reconquista. Impossível levar a sério.

Halle Berry - Mulher-Gato (Catwoman, 2004)

Bastou receber o Oscar pelo bom filme A Última Ceia, para Halle Berry engatar uma série de bombas como Na Companhia do Medo e este Mulher-Gato. No roteiro, constrangedor, Halle descobre segredos da empresa de cosméticos em que trabalha e após ser jogada de um prédio ganha poderes de um gato. Vai, lutar contra seus algozes, entre eles Sharon Stone que também adquire super-poderes provenientes dos tais cosméticos. O filme do diretor Pitof é tão aborrecido que o sex-appeal que se pensava em tirar proveito da situação vira piada sadomasô de quinta categoria.

Jim Carey - Número 23 (The Number 23, 2007)


Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças e O Mundo de Andy mostraram a veia dramática de Jim Carey. E, para quem prefere suas comédias, Débi & Lóide e Todo Poderoso são bons exemplos do cinema canastra feito por esse comediante canadense. Agora, se Número 23 é uma tentativa de mostrar outra vertente de atuação de Jim, em filmes ditos de terror, é melhor largar o barco e voltar para as comédias escrachadas. Número 23 é tão confuso que, mesmo se você tiver a boa vontade de tentar entender a trama, vai se arrepender, pois as neuroses do personagem são mais aborrecidas que curiosas.

Nicole Kidman – Os Invasores (The Invasion, 2007)

Recentemente, Nicole Kidman disse que poderá largar a carreira de atriz após o fiasco de Austrália de Baz Luhrmann. A verdade é que a moça não anda escolhendo bem os seus papéis depois que conquistou o Oscar de Atriz pelo filme As Horas. Neste Invasores, por exemplo, é inútil a tentativa de se fazer um remake do clássico B Vampiros de Almas (1956). No filme, a colisão de um ônibus espacial contamina os seres humanos, tornando-os transeuntes insensíveis. Kidman é uma psiquiatra que descobre que o efeito da contaminação ocorre quando as pessoas estão dormindo. No caso, ganha um doce quem viu essa bomba até o fim sem tirar um belo cochilo.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Um novo Karatê Kid?

Hollywood, que não cansa de produzir remakes, vai lançar no mercado uma nova versão de Karatê Kid.
O filme original, lançado em 1984, fez grande sucesso e se tornou um desses clássicos das sessões da tarde. Pat Morita e Ralph Macchio faziam a dupla mestre/aluno.

Para os lugares de Morita e Macchio, estão escalados Jackie Chan e “o filho de Will Smith” ou Jaden Smith.

Escolhas ruins. Chan é um bom malabarista. Não acho interessante para o papel de Senhor Miyagi por ser um tipo de personagem que transmite uma certa sabedoria transcendental. Chan tem muita cara de "cinema pastelão".
E quanto ao “filho de Will Smith”, o título da matéria publicada na página do UOL já diz tudo. Seu pai é produtor do longa e há nítida impressão de que o objetivo é fazer do filho um astro de cinema.

Ou seja, esse novo Karatê Kid cheira a picaretagem!

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Agora



Sinopse: No Egito Romano, durante o século 4, a filósofa e astróloga Hipátia de Alexandria luta para salvar a sabedoria adquirida pelo mundo antigo. Seu escravo Davus está dividido entre o amor por sua senhora e a possibilidade de ganhar sua liberdade se juntando à crescente corrente do Cristianismo. (Cinema em Cena)

O Quarto do Pânico

Diretor de rara competência tanto no cinema de mercado como em sua vertente cerebral, David Fincher parece aperfeiçoar sua técnica a cada nova incursão cinematográfica.

Clube da Luta (Fight Club) já demonstrava essa qualidade com tomadas surreais, como a da cena inicial que percorre o interior do corpo do perturbado Narrador (Edward Norton). Ou nas passagens onde os personagens lutam sob uma perspectiva lenta marcada por sons abafados que dão o tom de selvageria e ceticismo do homem pós-moderno que, na verdade, lutava contra o seu próprio “eu”, passivo e desajustado, buscando pontos de referência após o estabelecimento da chamada era do individualismo.

“O Quarto do Pânico”, decididamente, deixa indagações sociológicas em segundo plano. Trata-se de mero exemplar de produto corriqueiro embalado para retratar uma situação possível. No caso, duas mulheres são surpreendidas no meio da noite por assaltantes.

Em contra-partida a essa nítida falta de conteúdo, no quesito técnica o thriller pode ser considerado o reflexo da evolução de Fincher. A angulação pertinente e, quase, psicodélica termina assumindo o posto do próprio narrador em off onipresente e servindo de fio condutor aos olhos atentos de um espectador ávido por soluções.

A premissa apóia-se num roteiro lacônico que nas mãos de outro cineasta poderia ser um retumbante fracasso, pois há pouco o que explorar. Jodie Foster é Meg Altman, recém-separada do marido ela procura, juntamente com sua filha Sarah (Kristen Stewart), uma nova residência para recomeçar a vida. Sua busca termina numa mansão fantástica que possui um intrincado sistema de defesa: um cômodo impossível de ser invadido, em caso de roubos, ou o que venha a acontecer, e equipado com paredes de concreto, linha telefônica e ventilação independente, além de um sistema de monitores que cobre toda a casa e um detector de movimento.

Uma verdadeira fortaleza. Mas o que seria de tudo isso se não fosse possível testá-la logo na primeira noite das duas no casarão?É para isso que, afinal, serve um bom suspense e o mote é simples pretexto para fazer a máquina funcionar.

Um trio de assaltantes (entre eles, Jared Leto e Forrest Whitaker) surge na intenção de roubar uma fortuna que jaz escondida, justamente, no tal Quarto do Pânico lugar onde, obviamente, Meg e Sarah se refugiam para se esconder do iminente perigo. O que domina a cena, a partir de agora, é a tensão e o medo do que pode vir a acontecer após esse conflito.

A trama banal faz referência explícita ao estilo “Hitchcock” de se construir intrigas de eficiência singular amparadas no desenrolar do cotidiano. “Os Pássaros” concretizava a fúria da natureza a partir da visita de uma mulher a uma cidade litorânea; “Janela Indiscreta” tratava da imobilização de James Stewart, seu voyeurismo e vizinhos estranhos; e “Vertigo – Um Corpo que Cai” lidava com a vertigem de um homem e sua paixão obsessiva por uma mulher; Em comum, essas e outras obras do mestre do suspense, começavam sem fazer muito alarde. Pitadas de ironia antecipavam o que viria a acontecer e a tensão e o clima de mistério, logo, seriam constantes.


Fincher utiliza a cartilha a sua maneira. O início é nítida preparação com a apresentação do quarto e sua capacidade de abrigar desesperados. A claustrofobia de Meg é também outro problema apontado e, posteriormente, explorado, não tanto quanto o fato da filha diabética ter que controlar o medo para não entrar em coma. Os larápios é que variam entre o risco, propriamente dito, e um empecilho notado por questões burocráticas do roteiro. No final das contas, não haveria aflição sem a presença deles.

Mas o que angustia mesmo é todo o clima criado para esse enfrentamento, não a ameaça em si. O Quarto do Pânico termina sendo um produto de entretenimento eficiente por causa de direção, trilha sonora e atuações convincentes. Tudo azeitado com relevante cuidado para obstruir a tranqüilidade de qualquer um.

O som amplificado de Howard Shore comunga com a prática do diretor de Se7en fazendo um exercício potencial de claustrofobia e medo do inevitável. Em determinadas cenas, a impressão é que o aceleramento cardíaco é tamanho que não será possível resistir até o final da película. A atuação convincente de Foster também permite que o público acabe se identificando com o seu drama. O desespero em seu olhar e sua respiração ofegante só contribuem para o crescente aperto no coração

Avaliação: 7,0

sábado, 10 de janeiro de 2009

Crepúsculo


Comumente, nos filmes que abordam o personagem “vampiro”, o público não espera grandes variações de tema. Algumas passagens chegam a se instalar, por instinto, na mente do espectador como, por exemplo, as táticas para se defender de tais criaturas. Clichês tão velhos que, quando modificados, causam até certo desconforto, por estarem enraizados na mitologia popular.

Essa mesmice, que no cinema não ocorre em raríssimas exceções, pouco impede o fascínio exercido por Drácula e seus similares no público em questão.

De olho nesse filão, a escritora Stephenie Meyer criou uma franquia literária que vem atraindo leva considerável de seguidores e que, a partir de Crepúsculo, passa a conquistar espaço para atrair jovens ao cinema, vender os referidos livros e as bugigangas relacionadas.

A diferença de Crepúsculo, em relação a outros filmes do subgênero, diz mais respeito a condução da narrativa, que deixa em segundo plano a violência sanguinária e reforça o amor e a renúncia, enquanto catalisadores da trama.

No filme de Catherine Hardwicke, há um dito amor impossível entre a humana Isabella Swan (Kristen Stewart) e o vampiro Edward Cullen (Robert Pattinson). 

O que sustenta a atenção do espectador é o fato de que esse romance é realçado pelo fator hormonal. Cullen revela um desejo incontido por  Bella, ao mesmo tempo em que teme por sua segurança. Consumar esse amor seria condenar a jovem a uma subvida eterna de abdicação ou entrega à causa vampiresca.

A preocupação instintiva é tanta que sequências de ação e efeitos visuais são colocados em plano inferior. Afinal, a intenção real de Crepúsculo é realçar as emoções, utilizando as tonalidades depressivas da fotografia, o clima gótico e a narrativa tensa, para respaldar os conflitos internos vivenciados por humanos e vampiros. 

Avaliação: 6,0

Anti-Herói Americano

Harvey Pekar não escreve sobre super-heróis, ameaças atômicas ou fatos inexplicáveis. Sua narrativa é sobre a vida real. Ele escreve sobre o cotidiano das pessoas, suas alegrias e frustrações. Dessas observações, ele extrai uma poesia mundana, pouco significativa a olhos nus, mas com realces simbólicos e expressivos.


Exibindo um olhar calculadamente cínico sobre o mundo e, em especial, sobre a América ele é o autor da série em quadrinhos American Splendor, lançada em 1976, e adaptada de forma vigorosa para as telas do cinema, em 2003, com o título Anti-Herói Americano.

Centrando sua visão sobre os norte-americanos anônimos, a publicação ganhou notoriedade ao dar voz e sentido ao anonimato e criticando a soberba da cultura opressora de um país, onde o espírito de superação subjuga a individualidade.

No filme, acompanhamos a trajetória de Pekar (Paul Giamatti), arquivista de hospital, desencantado com a vida e abandonado pela esposa que o classifica como medíocre. Inspirado no trabalho do cartunista Robert Crumb, ele galga espaço no mercado underground de HQ, com seu olhar idiossincrático sobre o mundo.

Dirigido pelos documentaristas Shari Springer Berman e Robert Pulcini, o filme se utiliza de artifícios de montagem onde a tela parece revista em quadrinhos. E até o Harvey Pekar real em diversas seqüências interage com o que vai acontecendo, chegando a se encontrar com seu alter-ego fictício, num saboroso exercício de metalinguagem.
Avaliação: 8,0

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Cochilos em Tomb Raider

Esta nova sessão do Observatório de Cinema surge para homenagear filmes que mereceram um belo cochilo por parte deste jornalista.

E para começar:

LARA CROFT: TOMB RAIDER

Nem o charme irresistível de Angelina conseguiram impedir meu sono no Multiplex de Campina Grande/PB. Lembro que naquela época achei o filme ruim de doer. Depois, culpado pela soneca, resolvi vê-lo mais uma vez. E constatei mais uma vez a ruindade desse longa.
Adaptações de vídeo-game para o cinema geralmente são apedrejadas pela crítica. Não por menos, o sub-gênero entregou algumas das bombas mais memoráveis dos últimos anos.

Para fugir desse estigma, uma poderosa campanha publicitária tentou garantir o sucesso comercial de "Lara Croft: Tomb Raider". Um turbilhão de informações e imagens deixava o público sedento por conferir Angelina Jolie interpretando Lara Croft. Tudo preparado para garantir grande público na estréia. O marketing garantiu 48 milhões de dólares no caixa e, depois, a continuação Tomb Raider: A Origem da Vida.

Entretando, sem o sex-appeal de Angelina pouco se aproveita em Lara Croft. O filme é confuso. Cansa as pálpebras. Um tédio inexplicável para um filme dito de ação.

Algo assim conduz Tomb Raider: a cada 5000 anos, o alinhamento interplanetário permite o controle temporal se você estiver de posse de um artefato lendário, cujas partes estão espalhadas em várias partes do planeta. Pausa para locações no Camboja e na Islândia. Croft (Jolie) tenta encontrar esse tesouro antes dos Iluminatti que fazem a linha Pink & Cérebro: querem dominar o mundo. Lara Croft possui motivos mais sóbriso, reencontrar o pai (Jon Voight) falecido.

Tomb Raider poderia ser um Mcfilme divertido, mas faltou capricho no recheio. O roteiro é capenga e os diálogos melhoram bastante quando os personagens fecham o bico. De bom mesmo só o colírio natural Angelina Jolie.

Cotação: 4 sonecas

Final Fantasy


O diretor Hironobu Sagakuchi tentou criar um marco tecnológico no cinema de animação com Final Fantasy (2001). As imagens impressionavam pela proximidade com a realidade. Apesar de bastante alardeado, o longa-metragem não alcançou êxito comercial.

O primeiro contato com a musa Aki Ross é memorável. Olho no olho. A vida parecia estar presente naquela personagem gerada em computação gráfica. Mas essa impressão logo se dispersava. E Final Fantasy fica marcado por essa captura do real, que ora caíamos, ora percebíamos se tratar de ilusão. 

O filme se passa no ano de 2065. A terra está dominada por espectros que devoram a alma dos seres vivos. Entre os escombros de Nova Iorque, a Dra. Aki Ross busca a essência de Gaia para salvar o planeta. A história se desenvolve como receita de bolo. A fórmula e obviedade imperam até o finalzinho.

O que chama mesmo a atenção do público é esse elevado grau de escapismo filmado por Sagakuchi, em especial nas sequências de sonho da protagonista.

Na realidade de Final Fantasy, existem equipamentos que registram sonhos. Uma ligação com o espectador que observa a criação de um mundo virtual. Sentimento onírico brindado com a sensação de sonhar acordado até o acender das luzes da sala de projeção.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Crítica: Marley & Eu

Marley & Eu é uma fábrica de lágrimas. E esse era mesmo o resultado esperado com a adaptação do bestseller do jornalista John Grogan para as telas do cinema. A história que conta as aventuras do cão labrador Marley e sua família, durante 13 anos, é dessas que enchem o coração promovendo uma significativa identificação entre espectador e cinema. Principalmente se você tem algum bichinho de estimação.
Geralmente, as adaptações literárias sofrem ao serem transportadas para os filmes, pela falta de certos detalhes ou passagens e, também, pela ausência do espírito característico de cada livro. Nem sempre a realização áudio-visual confere com o que sentimos no folhear de páginas, principalmente, quando imagens e sons escolhidos diferem do que pensamos.

Não é o que acontece em Marley & Eu. Óbvio que é praticamente impossível esperar uma adaptação fidedigna, até pela questão do meio escolhido. Contudo, apesar dessa escrita, o filme é bem resolvido e consegue perpassar a mesma emoção oferecida no famoso livro.

Marley, histérico, bagunceiro e de bom coração, é aquele tipo de cachorro que provoca confusões, destrói móveis, tira a paciência de vizinhos, amigos, babás e, mesmo assim, consegue conquistar o coração de seus familiares. Jennifer Aniston e Owen Wilson interpretam o casal de jornalistas que adotam o labrador como experiência pré-filhos. A atuação simples, meio doidinha dos dois, contribui para a leveza da narrativa.

O filme é esticado. As quase duas horas de duração cansam um pouco. Mas a parte final de Marley & Eu é repleta de sentimento. As últimas cenas são acompanhados por olhos atentos e lacrimejados. O peito aperta e o silêncio da plateia é reflexo da sinergia provocada pela honestidade de um filme que quer, de forma legítima, emocionar. 
Avaliação: 8,0

domingo, 4 de janeiro de 2009

Trailler: Valsa com Bashir



SINOPSE: Numa noite num bar, um homem conta ao velho amigo Ari sobre um pesadelo recorrente no qual é perseguido por 26 cães alucinados. Toda noite é o mesmo número de bestas. Ambos concluem que o pesadelo tem a ver com a missão deles no exército israelense contra o Líbano, décadas atrás.
Ari, no entanto, fica surpreso ao perceber que não consegue mais se lembrar de nada sobre aquele período da sua vida. Intrigado com o enígma, Ari decide se encontrar e entrevistar velhos camaradas pelo mundo. Ele tem necessidade de descobrir toda a verdade sobre aquele tempo e sobre si mesmo. E quanto mais ele se aprofunda no mistério, mais suas lembraças se tornam aterrorizantes e surreais.
Fonte: Youtube e Interfilmes

sábado, 3 de janeiro de 2009

Dez Filmes!

Como é de praxe, todo amante do cinema faz sua tradicional listinha de melhores filmes do ano. Nem sempre é possível ver os principais títulos lançados no mercado. Mesmo assim, acredito que essa lista reflete o que de melhor tive a oportunidade de ver no decorrer de 2008.


01º O Escafandro e a Borboleta - Jean-Dominique Bauby tem 43 anos, é editor da revista Elle, e um apaixonado pela vida. Mas, subitamente, tem um derrame cerebral. Vinte dias depois, ele acorda. Ainda está lúcido, mas sofre de uma rara paralisia: o único movimento que lhe resta no corpo é o do olho esquerdo. Bauby se recusa a aceitar seu destino. Aprende a se comunicar piscando letras do alfabeto, e forma palavras, frases e até parágrafos. Cria um mundo próprio, contando com aquilo que não se paralisou: sua imaginação e sua memória. Baseado no livro de Jean-Dominique Bauby.

02º Persépolis - Marjane é uma jovem iraniana de oito anos, que sonha em ser uma profetisa do futuro, para assim salvar o mundo. Querida pelos pais cultos e modernos e adorada pela avó, ela acompanha avidamente os acontecimentos que conduzem à queda do xá e de seu regime brutal. A entrada da nova República Islâmica inaugura a era dos "Guardiões da Revolução", que controlam como as pessoas devem agir e se vestir. Marjane, que agora deve usar véu, deseja se transformar numa revolucionária. Mas, para tentar protegê-la, seus pais a enviam para a Áustria.

03º Sangue Negro - Virada do século XIX para o século XX, na fronteira da Califórnia. Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis) é um mineiro de minas de prata derrotado, que divide seu tempo com a tarefa de ser pai solteiro. Um dia ele descobre a existência de uma pequena cidade no oeste onde um mar de petróleo está transbordando do solo. Daniel decide partir para o local com seu filho, H.W. (Dillon Freasier). O nome da cidade é Little Boston, sendo que a única diversão do local é a igreja do carismático pastor Eli Sunday (Paul Dano). Daniel e H.W. se arriscam e logo encontram um poço de petróleo, que lhes traz riqueza mas também uma série de conflitos.

04º Ensaio Sobre a Cegueira
- Adaptação do premiado livro escrito por José Saramago, mostra uma inexplicável epidemia de cegueira branca que se alastra rapidamente. Todos os cegos são enviados para um hospital psiquiátrico abandonado, onde ficam isolados do mundo.

05º Wall-E - E se a humanidade tivesse que deixar a Terra e alguém esquecesse de desligar o último robô? Depois de centenas de anos sozinho fazendo o que foi projetado para fazer – limpar o planeta — WALL•E (abreviação de Waste Allocation Load Lifter Earth-Class, que em português é: Localizador e Coletor de Lixo Classe Terrestre) descobre um novo propósito na vida (além de coletar sucata) quando encontra uma bela robô de busca chamada EVE. WALL•E e EVE viajam através da galáxia e põem em movimento uma das mais eletrizantes e criativas comédias de aventura já levadas para as telas do cinema. Junto com WALL•E em sua fantástica jornada através do universo de visões nunca antes imaginadas do futuro está um elenco hilariante de personagens que inclui uma barata de estimação e uma heróica equipe de robôs desajustados e defeituosos.

06º Batman – O Cavaleiro das Trevas: Dois anos depois, com a presença de Batman (Christian Bale) para defender os moradores de Gotham City, os criminosos têm muito o que temer. O Homem-Morcego, com a ajuda do tenente Jim Gordon (Gary Oldman) e do promotor público Harvey Dent (Aaron Eckhart), lutará contra o crime organizado, comandado por seu arquiinimigo, o Coringa (Heath Ledger).


07º Onde os Fracos Não Tem Vez - No oeste do Texas, na década de 80, Llewelyn Moss (Josh Brolin), veterano do Vietnã, aproveita uma venda mal feita de drogas para fugir com US$ 2 milhões. Porém, ele passa a ser perseguido por dois assassinos indignados e extremamente interessados no dinheiro, que nem mesmo o xerife Bell (Tommy Lee Jones) pode conter.

08º Estômago - Raimundo Nonato (João Miguel) acaba de chegar a São Paulo vindo do Nordeste. Ele não tem dinheiro algum, muito menos lugar para ficar. Quando consegue um trabalho informal num boteco, começa a mostrar sua verdadeira aptidão: a culinária. Sua coxinha logo faz sucesso e sua reputação faz com que consiga um trabalho num restaurante italiano. Ele se apaixona por Iria (Fabiula Nascimento), uma prostituta que adora comer. Paralelamente, também acompanhamos seu dia-a-dia na prisão, onde Nonato é preso por um crime não-explicado - pelo menos em grande parte do filme. Lá, seus dotes culinários fazem com que seu espaço cresça cada vez mais.

09º Não Estou Lá - Esta é uma jornada nada convencional dentro da vida das várias fases de Bob Dylan. Seis atores diferentes retratam o artista em uma série de personalidades que oscilam, indo desde um Dylan público ao privado e ao fantasioso - é um rico e colorido retrato desse sempre alusivo ícone americano. Poeta, profeta, um marginal, fora-da-lei, um dissimulado, um astro, mártir do rock & roll e um cristão renascido - sete identidades trançadas juntas. Sete órgãos vibrando e explodindo na história de uma única vida. Um filme tão vibrante quanto à era na qual foi inspirado.Vencedor em VENEZA 2007 - Melhor atriz para Cate Blanchett e Prêmio Especial do Júri Indicado ao Oscar 2008 de Melhor Atriz Coadjuvante - Cate Blanchett.

10º O Nevoeiro - Depois que uma violenta tempestade devasta a cidade de Maine, David Drayton - um artista local - e seu filho de 8 anos correm para o mercado, antes que os suprimentos se esgotem. Porém, um estranho nevoeiro toma conta da cidade, deixando David e um grupo de pessoas presas no mercado - entre elas um cético forasteiro e uma fanática religiosa. David logo descobre que o nevoeiro esconde algo sobrenatural e que sair do mercado pode ser fatal. Mas conforme o grupo tenta desvendar o mistério, o caos se instala e fica evidente que as pessoas dentro do mercado podem tornar-se tão ameaçadoras quanto as criaturas do lado de fora. Baseado na obra de Stephen King.

Sinopses: Interfilmes