domingo, 28 de dezembro de 2008

A Felicidade Não Se Compra

“Uma pessoa se torna cinéfila não porque vê filmes, mas sim porque sente a necessidade imperiosa de ver os filmes que ainda não viu”. Essa é uma citação do diretor francês Jean Charles Tacchela, ressaltada no prefácio do livro “O Outro Lado da Noite: Filme Noir”, de Antônio Carlos Gomes de Matos, professor de História de Cinema e Cinestética da PUC-RJ.

Tendo essa lembrança como referência, todo apreciador do bom cinema deveria guardar um lugar especial para A Felicidade não Se Compra (1946) na sua cinemateca básica. O filme do diretor Frank Capra é uma dessas pérolas que nunca nos cansamos de ver e uma dessas experiências inesquecíveis. Lágrimas? São inevitáveis. O poder desse filme sexagenário ainda persiste, tanto pela sua mensagem positiva como pelo seu incondicional amor à vida.

Essa bela história, contudo, não agradou de imediato. Quando fora lançado, houve bastante resistência por parte de público e crítica que pareciam não admitir uma trama (pós-Segunda Guerra Mundial) que fazia referência à depressão americana da década de 30 e as conseqüentes dificuldades econômicas daquele período. Como se, de certa maneira, aquele povo quisesse negar um passado recente.

Demorou um pouco, mas A Felicidade Não se Compra foi redescoberto e terminou se tornando uma tradição do Natal e o clássico que é hoje, sempre figurando entre os mais importantes da história do cinema. Outros filmes como 2001: Uma Odisséia no Espaço (Stanley Kubrick) e Blade Runner (Ridley Scott) também sofreram com essa indiferença inicial, sendo, posteriormente, reconhecidos.



O filme de Frank Capra narra a saga de George Bailey (James Stewart), homem simples e idealista que ao longo de sua vida se sacrificou em prol dos outros. Ainda criança, salvou a vida do seu irmão mais novo e impediu que seu velho chefe cometesse um erro, que poderia custar a vida de outra pessoa.

Na juventude, teve que abandonar a idéia de fazer uma universidade e viajar pelo mundo para comandar a firma do seu pai. Também abdicou da sua lua-de-mel para, mais uma vez, salvar sua firma da bancarrota. Lutou contra homens poderosos da sua cidade permitindo que muitas pessoas tivessem acesso ao crédito e à casa própria. Enquanto sua própria morada precisava ser renovada. George Bailey era, portanto, um homem que buscava, essencialmente, o bem-estar comum.

A quebra nessa singularidade narrativa se dá quando, por um descuido, seu tio perde uma quantia em dinheiro que deveria ser depositada no banco, ao mesmo tempo em que um fiscal analisava as contas da empresa. George se viu numa situação das mais difíceis. Poderia até ir para a cadeia por um erro que não cometeu. O desespero de ver sua dignidade descer pelo ralo acaba o impelindo a desistir de seu bem mais precioso: a sua própria vida.

Capra constrói esse paradoxo com a competência de quem entende como ninguém a linguagem cinematográfica. A iluminação se torna ofuscada e há um clima de tensão e angústia na face de George Bailey, contrastando com o que vinha se apresentando desde então. Sentimos, ao seu lado, a dor de quem não encontra mais chão sob os seus pés. E é essa, afinal, a tônica de A Felicidade Não se Compra.

No limiar da tragédia, o personagem ganha a oportunidade de vivenciar como seria a vida se ele não existisse, assim era o seu desejo, naquele momento. Capra utiliza o recurso de um anjo da guarda, que proporciona essa chance a George, até pelo fato do longa-metragem se configurar como uma fábula moderna. Ele vê que sem a sua intervenção a vida de tantas pessoas mudava para pior. Seu irmão morrera, seu antigo chefe se tornara um bêbado, sua mãe, uma mulher amargurada pelos percalços da vida, e a esposa, uma solitária sem rumo.

Com essa visão desanimadora, George implora para ter sua vida de volta. A sua mensagem é a da apreciação das coisas simples que só valorizamos quanto perdemos e que, na maior parte das vezes, são enevoadas pela própria rotina. George perde o que, diante daquelas circunstâncias, rejeitava e, ao verificar isso in loco, percebe o quanto era feliz. Na conclusão otimista, Capra escreve “ninguém é um fracasso se tem amigos”.

Essencialmente, A Felicidade Não Se Compra é um filme para se guardar no coração.
Avaliação: 10,0

P.S. Eu Te Amo

Como lidar com a perda de um ente querido? P.S. Eu Te Amo, com estrutura de dramédia romântica é uma tentativa de explicar esse sentimento de luto por meio de cartas deixadas pelo falecido (Gerald Butler de 300) para a sua esposa (Hilary Swank de Menina de Ouro) com a intenção de ajudá-la a tocar a vida.

A história, centrada nessa estratégia, faz com que cada nova missiva tenha a capacidade de demonstrar uma certa presença espiritual por meio de coincidências que surgem nas situações apresentadas, como se Butler realmente acompanhasse o processo de superação de sua mulher.

Swank, duplamente laureada com o Oscar de Melhor Atriz, imprime esse teor dramático sem cair no melodrama raso. Após o sepultamento do seu marido, ao chegar em casa, recorre às lembranças de detalhes íntimos que jamais voltarão a acontecer. E no decorrer da trama, desenlaça o véu de sua fragilidade no momento certo, quando o sentido real de ausência enfim baqueia sua resistência.

Kathy Bates, que interpreta sua mãe, aparece como o retrato de uma mulher abandonada pelo marido. A vida tornou-a forte, mas não o bastante para entender tal atitude. Mãe e filha, duas mulheres que perderam, por motivos diferentes, uma felicidade até então perene, que P.S. Eu Te Amo tenta explicar como uma dor profunda que pode ter sua cura.

O filme é positivo por não tentar forçar a barra “final feliz” com soluções imediatas. As possibilidades que permeiam a narrativa surgem como fins possíveis, tendo em vista a dinamicidade da própria vida. Para P.S. Eu Te amo o fim também pode ser um começo.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

A Fonte da Vida

The Fountain Movie Stills: Hugh Jackman, Rachel Weisz, Ellen Burstyn, Darren AronofskyUm filme que transcende os conceitos de vida e morte. Fonte da Vida (The Fountain) nos mostra três tempos (passado, presente e futuro) com uma história em comum: a obsessão pela imortalidade.
Hugh Jackman é o homem que busca encontrar a mitológica Árvore da Vida. No passado, um conquistador espanhol a serviço de sua rainha (Rachel Weisz). No presente, um médico/cientista tentando salvar a vida de sua mulher (Weisz, novamente). No futuro, um astronauta (ou será uma projeção mental?) cultivando o que poderá trazer sua "vida" de volta (Weiz!).


Aronofsky (dos igualmente estranhos "Pi" e "Réquiem Para um Sonho") filma algo que em certos momentos nos parece familiar, no tocante à narrativa conceitual, mas que em outros instantes reflete um estado de espírito. São imagens-símbolo em congruência em histórias que, por mais díspares que possam aparentar, terminam desaguando na mesma fonte, pois possuem um sentido único, linear.
Se, para alguns, Aronofsky soou "pretensioso" (há ecos de "2001: Uma Odisséia no Espaço", de Stanley Kubrick), na verdade o diretor busca alternativas para um cinema preguiçoso, de roteiros rasos e sem densidade dramática.
Feito por um Michael Bay, "Fonte da Vida" padeceria sob sua auto-importância. Sob a tutela de Aronofsky, temos um filme silencioso (mesmo com a intensa trilha sonora), onde a idéia dá voltas, contudo há uma essência verdadeira, quase sublime, onde o amor tende a ser imortal.

Terceiro Crônicas de Nárnia é cancelado pela Disney

"A Viagem do Peregrino da Alvorada", próximo título da franquia "As Crônicas de
Nárnia" seria filmado em 2010, mas a Walt Disney Pictures desistiu de investir na série depois da arrecadação abaixo do esperado de "As Crônicas de Nárnia - Príncipe Caspian".

O primeiro filme "O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa" havia abocanhado mais de 700 milhões de dólares a um custo de 150 milhões. "Caspian" custou 200 milhões e arrecadou pouco mais de 400 milhões de dólares mundialmente.

A saga de C.S. Lewis bem que tentou seguir o rastro de "O Senhor dos Anéis". E o primeiro filme foi bem comercialmente, graças a uma poderosa campanha de marketing. Mas a história não tinha o mesmo senso épico da trilogia dirigida por Peter Jackson.

"Príncipe Caspian", por exemplo, é um bom filme. Só não tem a capacidade de atrair grandes multidões. Ou alguém estaria interessado na próxima aventura de "As Crônicas de Nárnia"? Seguindo essa lógica, a Disney acertou ao cancelar o terceiro filme da franquia, deixando espaço para que "A viagem do Peregrino da Alvorada" seja filmado em outra oportunidade.

Barry Lyndon

Este belo filme de época de Stanley Kubrick retrata a ascenção e a decadência de Barry Lyndon (Ryan O´Neal) que dá nome ao filme.

Chamam a atenção nesse longa-metragem os grandes planos que mostram as lindíssimas locações, muitas parecem quadros vivos, deslumbrando nosso olhar.

Um contraste com as histórias apresentadas, repletas de traições, decadência, egoísmo, luxúria e tudo o que há de ruim na condição humana. Paradoxo perfeito para mostrar a degradação da virtude perante a cobiça e a ambição.

Marley & Eu

Animais de estimação fazem parte da nossa vida. E o jornalista John Grogan conseguiu expressar todo esse amor no best seller Marley & Eu. Li esse livro no início do ano, no mês de fevereiro. A história conta as desventuras de um cachorro bagunceiro que conquista uma família com seu jeito peculiar de ser.

Quando informaram que uma versão cinematográfica seria feita, fiquei atento. O filme estréia amanhã, 25 de dezembro, e estarei lá conferindo como um livro tão bacana foi adaptado para o cinema.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Pânico

Wes Craven filmou um dos personagens de maior apelo comercial do cinema, Freddie Krueger, que por muito tempo povoou o imaginário de milhares de adolescentes e fez aumentar a conta de luz de muita gente. Quem dormia em paz depois de A Hora do Pesadelo?

De lá para cá, o terror perdeu força com cópias de suas produções mais famosas invadindo o mercado, provocando um certo ranço no gênero.

Pânico (Scream, 96, EUA), também dirigido por Wes Craven, rescussitou o estilo e foi responsável pela onda de filmes de terror adolescente da década de noventa que gerou Halloween H20, Lenda Urbana, Eu Sei o Que Vocês Fizeram No Verão passado e seus congêneres, Pânico 2 e 3, até a paródia Todo Mundo em Pânico.

No roteiro de Kevin Williamson, Sidney Prescott (Neve Campbell) recebe telefonemas ameaçadores e um maníaco mascarado faz perguntas insensatas para suas vítimas. Quem erra, paga com a vida.

O divertido nessa história é o clima de auto-paródia, onde os personagens parecem participar de um filme dentro de outro, discutindo as velhas regras que marcaram o estilo. Randy (Jamie Kennedy) expõe essas regras para os outros, fazendo o papel de público questionador. E, enquanto, eles relembram esses clichês, as vítimas vão se amontoando.

No século 21, o terror inspirado em Pânico perdeu sua graça. Imitações em excesso provocaram novo cansaço, substituído por um tipo de cinema de imagens visualmente grotescas como Jogos Mortais e O Albergue. E Pânico, assim como Freddie Kruegger, ficou na lembrança.

domingo, 21 de dezembro de 2008

Se7en

Poderia ser apenas mais uma fita a explorar o tema Assassino em Série. Ficou no poderia. "Seven - os Sete Crimes Capitais" é um clássico, desses que vai ficar entoando na imaginação do público por muito, mas muito tempo mesmo.


A trama gira em torno de uma série de assassinatos que vão acontecendo segundo os sete pecados capitais: gula, preguiça, inveja, vaidade, luxúria, cobiça e ira. Em cada crime o assassino deixa uma marca especificando o pecado.

Os detetives Somersen (Morgan Freeman), prestes a se aposentar, e Mills (Brad Pitt), recém chegado à cidade, são encarregados de resolver o caso.Os dois investigadores possuem personalidades antagônicas. Enquanto Somersen é calmo e racional, Mills é estourado e age por instinto.

A convivência entre eles é conturbada, mas eles acabam se tornando amigos, influenciados pela esposa de Mills (Gwynett Paltrow), que sofre por não se acostumar com o novo ambiente.

No primeiro crime, um homem é encontrado amarrado em uma cadeira com a cara atolada num prato de comida. Ele foi obrigado a comer até que o estômago estourasse. Quer dizer, logo de cara "Seven" já causa impacto.

Mas isto é apenas um "aperitivo" para o que ainda há por vir. As mortes que se seguem são de um sadismo cru, deixando entender que eles não estão lidando com um criminoso comum.O que é ratificado em sua conclusão.

Enquanto outros crimes vão ocorrendo, o que causa um certo alvoroço na imprensa, que se torna a "panela-de pressão" na resolução do caso, os dois detetives vão ligando as pistas até descobrir a identidade do dito-cujo. É quando ocorre a primeira reviravolta de "Seven": o assassino simplesmente se entrega deixando todos atônitos.

E é daí que acontece o tão esperado final, tão inesperado e tão impactante que chega a atordoar quem está assistindo. Seria a vitória do mal sobre o bem? Deixando de lado os anseios de uma "sempre expectativa de um final feliz", pode-se dizer que é, no mínimo, marcante.

É o fim de um ciclo que se iniciou logo na primeira morte. É inevitável, e por isso entrou para a história da cinematografia mundial.

Com diálogos inteligentes e repleto de citações (desde a Bíblia até A Divina Comédia, de Dante), "Seven" é o exercício da lógica detetivesca Sherlockiana.

O clima é sombrio (remete ao "noir"), o que só vem tornar a trama "dark" mais tenebrosa. E as atuações do trio principal (Pitt, Freeman e Spacey) estão inspiradíssimas.E o arquiteto desta obra de arte é David Fincher, diretor de "Clube da Luta", uma critica severa aos males do consumismo.

"Seven" pode ser perverso, pode até ser a encenação de um pesadelo. Mas não há como negar a sua importância. Num meio dominado pelo sistema das super produções, ele é o "tumor maligno" que dilacerou a falta de criatividade dos "esquemões".

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

A Cela e o efeito MTV

Na era da MTV é comum apelar ao efeito visual para dar uma recauchutada nas produções cinematográficas. É um excelente
recurso, especialmente quando não compromete a trama (que é o essencial, claro!). Pois é justamente o conteúdo o mais comprometido em "A Cela", uma mistura de suspense fantástico com ficção científica, estrelado por Jennifer Lopez, e dirigido pelo "clipmaker" Tarsen Singh (produtor de "Losing My Religion", do REM).

A premissa é interessante (mas não deixa de ser batida): psicóloga aplica método revolucionário de invasão de mentes (!?) para adentrar no subconsciente de psicopata e descobrir o paradeiro de mulher presa em uma cela prestes a inundar - inútil dizer que isso é apenas pretexto para um desfile de imagens sensacionais.

Desse modo, um tema bacana de ser explorado (a mente alheia) é tratado com bastante superficialidade.Os personagens são apáticos, para não dizer, dispensáveis. Temos um agente do FBI que, no passado, sofreu uma decepção no trabalho e agora quer se compensar, e um "serial killer clichê" (por que será que todo maluco de plantão teve que sofrer abusos na infância?).

Mas o que enfraquece mesmo "A Cela" são as suas histórias paralelas. Na medida em que a câmera de Singh percorre a mente de seus personagens temos uma verdadeira mostra de tudo o que o dinheiro pode comprar (foram investidos mais de 33 milhões de dólares por aqui), mas quando ele volta sua perspectiva para o mundo "real" chega a decepcionar.

Convenhamos "A Cela" não é ruim, pelo contrário, é um bom programa para passar o tempo, mas fica tão preso no visual, quase hipnótico, que o destino da vítima (a motivação inicial) é relevada a segundo plano. Não há uma congruência de emoções, e quando Singh tenta fazer isso (no final) mete os pés pelas mãos.

Por isso, ao sermos apresentados a um mundo onírico "A Cela" cumpre o seu papel, falta apenas coerência e, quem sabe, experiência e uma direção mais segura.

O Curioso Caso de Benjamin Button

Toda vez que o diretor David Fincher faz parceria com Brad Pitt sai boa coisa. Bastar relembrar Se7en - Os Sete Crimes Capitais (1995) e Clube da Luta (1999), filmes emblemáticos da década de 90, onde o ator saia dos estereótipos do tipo Hollywood, para personificar personagens de conteúdo e mensagem crítico-social.


Com O Curioso Caso de Benjamin Button (2008), citado na maioria das listas de melhores de 2008, a impressão que se tem é que os parceiros receberão o selo de aprovação do cinemão americano.

O que, avaliando-se bem, não representa tanto quanto o efeito já produzido pelos seus longas anteriores, mas abre o caminho para a consagração financeira, Arca da Aliança para quem quer faturar na Indústria do Cinema.

Do pouco que se tem do roteiro, sabe-se que Benjamin Button está com aproximadamente 80 anos de idade e, em vez de envelhecer, rejuvenesce. Sonho de qualquer ser humano que busca a tal juventude eterna.

Fincher, sabiamente, deverá mostrar as benesses e complicações desse dom. Pelo talento do diretor e a retrospectiva das boas parcerias com Brad Pitt, O Curioso Caso de Benjamin Button desponta como um dos filmes mais interessantes do ano.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

AFI elege os dez filmes de 2008

A Associação do Cinema Americano divulgou a lista com os melhores filmes de 2008. A lista inclui alguns blockbusters como Batmam - Cavaleiro das Trevas e Homem de Ferro.

Confira:

Batman - Cavaleiro das Trevas (Christopher Nolan): O homem-morcego luta contra o crime organizado, comandado por seu arquiinimigo, o Coringa (Heath Ledger).

Milk (Gus Van Sant): Drama fala do primeiro gay assumido a ser eleito para um cargo público nos Estados Unidos

The Wrestler (Darrem Aronofsky): O filme se baseia no livro que Robert Siegel escreveu sobre Randy "The Ram" Robinson, astro da luta-livre nos anos 80.
Frozen River (Courteney Hunt): Vencedor do prêmio do júri de melhor filme de ficção em Sundance 2008.Frozen River (Courteney Hunt): Vencedor do prêmio do júri de melhor filme de ficção em Sundance 2008.


Gran Torino (Clint Eastwood): No filme, Eastwood vive Walt Kowalski, um veterano da Guerra da Coréia racista que relutantemente cria um vínculo com um vizinho asiático - mais especificamente um hmong, uma dentre as várias etnias vindas do sul da China - por causa de seu carro, um Gran Torino 1972.

Homem de Ferro (Jon Fraveau): Após sofrer um acidente, o bilionário inventor Tony Stark (Robert Downey Jr.) cria uma armadura de ferro para mantê-lo vivo. Com o sucesso de seu invento, ele decide usar a alta tecnologia de sua armadura para combater o crime nos Estados Unidos.
Wend and Lucy (Kelly Reichardt): Wendy e sua cadela Lucy estão viajando para o Alasca, em busca de novas oportunidades financeiras, quando seu carro quebra no meio do caminho.
Wall-E (Andrew Stanton):Cerca de 700 anos no futuro, a Terra está infestada por poluentes. Por isso, os humanos vivem numa nave que percorre a atmosfera do planeta. Um robô que vive na Terra coletando lixo se apaixona por uma máquina que está na companhia dos humanos, no espaço. Assim, ele sai numa jornada para se juntar a ela.
Frost/Nixon (Ron Roward): A história conta como foi a dramática entrevista do presidente americano Richard Nixon ao apresentador de TV britânico David Frost logo após o escândalo político de Watergate, em 1972.
O Curioso Caso de Benjamin Button (David Fincher): O conto narra a bizarra história de Benjamin Button, que nasce velho e, conforme os anos vão passando, começa a rejuvenescer até simplesmente não existir mais.

domingo, 14 de dezembro de 2008

A Ciência do Sonho

Quando bem realizado, o cinema pode ser capaz de proporcionar as mais diversas experiências. Afinal, um bom filme não deve se limitar às velhas regras de começo, meio e fim, personagens arquetípicos, bem e mal e toda aquela lenga-lenga costumeira. Cinema deve experimentar. E Michael Gondry, mais uma vez, constrói belo longa-metragem experimental neste "A Ciência do Sonho".


A história apresenta Gael Garcia Bernal como um desenhista criativo que acaba conseguindo um trabalho burocrático, o terror para qualquer artista. Ele cria calendários promocionais de conceitos catastróficos, rejeitados pelo patrão, que prefere continuar com a fórmula que já vem dando certo. Mudar? Para quê? Deve pensar!



Bernal também convive com aquela busca de um par-perfeito, no caso, sua nova vizinha, que ele parece um tanto desajeitado para conquistar. Todas essas atividades diárias, juntamente com as reminiscências, desejos, conceitos e lembranças servem para povoar seus sonhos. E "A Ciência do Sonho" mostra cada um deles de uma forma lúdica e representativa de como transformamos nossos pensamentos em pequenos filmes que se passam na nossa cabeça, enquanto estamos dormindo.

Sonambulismo - Em algumas cenas de "A Ciência do Sonho", Bernal parece sofrer ataques de sonanbulismo. A sensação, para quem conhece, é das mais estranhas. Um tipo de transe, meio dormindo, meio acordado. Um estalo e você cai na real. Antes disso, você enxerga o que sua mente manda. E nesse filme há claras referências a essas distorções.
Com "A Ciência do Sonho", Michael Gondry prova que é possível sair do marasmo das histórias que todo mundo sabe como terminam. Afinal, cinema é assim mesmo, como um sonho real que acompanhamos por um par de horas na sala de projeção.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Filmes que quero ver!

O diretor francês Michael Gondry tem no currículo um dos grandes filmes realizados nos últimos tempos. Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças é sensível, radical e meio que persegue aquele lance de sonho dentro de um sonho.

Com seu mais novo filme Rebobine, Por Favor, Gondry, segundo consta nas sinopses, desenvolve um produto de alto grau cinéfilo. O longa-metragem tem como palco uma locadora de VHS, resistente ao formato DVD. Um acidente ocorre e todos os filmes são magnetizados, perdendo o conteúdo. Para não perderem o emprego, os funcionários da locadora filmam amadoristicamente os longas procurados pelos clientes.

Ou seja, Rebobine, Por Favor é uma brincadeira de cinéfilo, onde os fãs do cinema tratam de refilmar passagens famosas de filmes como Conduzindo Miss Daisy e Os Caça-Fantasmas.

Estamos na espera!

Heath Ledger indicado ao Globo de Ouro

Logo que Batmam - Cavaleiro das Trevas estreou
nos cinemas muito se falou numa indicação póstuma ao ator Heath Ledger pelo papel do Coringa. Naquela época, o mundo ainda sentia os efeitos da morte precoce do ator australiano.

Meses depois, sua indicação ao Globo de Ouro, como ator coadjuvante, renasce a expectativa de um prêmio póstumo ao ator. E é bem capaz de Heath Ledger receber mesmo o Globo de Ouro. Sua performance é intensa, emblemática.

Gothan City sempre teve um aspecto depressivo com antagonistas perfilados como párias sociais e um justiceiro mascarado de passado trágico. Com Heath Ledger no papel do Coringa, o gênero obteve carga eficientemente dramática, raridade em filmes do gênero super-heroi.

Prêmios começam a delinear o Oscar

A Associação de Críticos de Cinema de Rádio, Tevê e Veículos Online divulgou os filmes indicados à 14a edição do prêmio. A lista é considerada uma das primeiras prévias do próximo Oscar.



Na dianteira, "Milk" e "O Curioso Caso de Benjamim Button", cada um com oito indicações. "Batman - O Cavaleiro das Trevas", "Doubt" e "Slumdog Millionaire" obtiveram seis indicações, segundo informações obtidas no UOL Cinema.


Confira a lista completa dos indicados:


Melhor Filme
A Troca
O Curioso Caso de Benjamin Button
Batman - O Cavaleiro das Trevas
Doubt
Frost/Nixon
Milk
The Reader
Slumdog Millionaire
Wall-E
The Wrestler






Melhor Ator
Clint Eastwood (Gran Torino)
Richard Jenkins (The Visitor)
Frank Langella (Frost/Nixon)
Sean Penn (Milk)
Brad Pitt (O Curioso Caso de Benjamin Button)
Mickey Rourke (The Wrestler)


Melhor Atriz
Kate Beckinsale (Nothing But the Truth)
Cate Blanchett (O Curioso Caso de Benjamin Button)
Anne Hathaway (O Casamento de Rachel)
Angelina Jolie (A Troca)
Melissa Leo (Frozen River)
Meryl Streep (Doubt)

Melhor Ator Coadjuvante
Josh Brolin (Milk)
Robert Downey Jr. (Trovão Tropical)
Philip Seymour Hoffman (Doubt)
Heath Ledger (Batman - O Cavaleiro das Trevas)
James Franco (Milk)

Melhor Atriz Coadjuvante
Penelope Cruz (Vicky Cristina Barcelona)
Viola Davis (Doubt)
Vera Farmiga (Nothing But the Truth)
Taraji P. Henson (O Curioso Caso de Benjamin Button)
Marisa Tomei (The Wrestler)
Kate Winslet (The Reader)

Melhor Conjunto de Atores
O Curioso Caso de Benjamin Button
Batman - O Cavaleiro das Trevas
Doubt
Milk
O Casamento de Rachel

Melhor Diretor
Danny Boyle (Slumdog Millionaire)
David Fincher (O Curioso Caso de Benjamin Button)
Ron Howard (Frost/Nixon)
Christopher Nolan (Batman - O Cavaleiro das Trevas)
Gus Van Sant (Milk)

Melhor Roteirista (roteiro original ou adaptado)
Simon Beaufoy (Slumdog Millionaire)
Dustin Lance Black (Milk)
Peter Morgan (Frost/Nixon)
Eric Roth (O Curioso Caso de Benjamin Button)
John Patrick Shanley (Doubt)

Melhor Longa de Animação
Bolt - Supercão
Kung Fu Panda
Madagascar 2
Wall-E
Waltz With Bashir

Melhor jovem ator ou atriz
Dakota Fanning (The Secret Life of Bees)
David Kross (The Reader)
Dev Petal (Slumdog Millionaire)
Brandon Walters (Austrália)

Melhor Filme de Ação
Batman - O Cavaleiro das Trevas
Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal
Homem de Ferro
007 - Quantum of
Solace
O Procurado

Melhor Comédia
Queime Depois de Ler
Forgetting Sarah Marshall
Role Models
Trovão Tropical
Vicky Cristina Barcelona

Melhor Filme para Televisão
John Adams
Recount
Coco Chanel

Melhor Filme de Língua Estrangeira
A Christmas Tale
Gomorra
I've Loved You So Long
Let the Right One In
Mongol
Waltz With Bashir

Melhor Documentário
I.O.U.S.A.
Man On Wire
Roman Polanski: Wanted and Desired
Standard Operating Procedure
Young At Heart

Melhor Canção
"Another Way to Die" - Jack White and Alicia Keys/Jack White (007 - Quantum of
Solace)
"Down to Earth" - Peter Gabriel/Peter Gabriel and Thomas Newman (Wall-E)
"I Thought I Lost You" - Miley Cyrus and John Travolta/Miley Cyrus and
Jeffrey Steele (Bolt - Supercão)
"Jaiho" - Sukhwinder Singh/A.R. Rahman and Gulzar (Slumdog Millionaire)
"The Wrestler" - Bruce Springsteen/Bruce Springsteen (The Wrestler)

Melhor Compositor
Alexandre Desplat (O Curioso Caso de Benjamin Button)
Clint Eastwood (A Troca)
Danny Elfman (Milk)
Hans Zimmer and James Newton Howard (Batman - O Cavaleiro das Trevas)
A.R. Rahman (Slumdog Millionaire)

L.A. elege Wall-E melhor de 2008


A Associação de Críticos de Los Angeles considerou Wall-E o melhor filme de 2008. A eleição da animação é justa. Além de ser um belo filme sobre a solidão e o amor, Wall-E transmite uma contundente mensagem ecológica. Apesar do título, no Oscar Wall-E deve concorrer na categoria Melhor Animação. Kung Fu Panda e Valsa com Bashir despontam na concorrência.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

007 - Quantum of Solace


Cassino Royale chegou aos cinemas com a missão de modificar a imagem cristalizada de um dos ícones mais resistentes do cinema de entretenimento. E Daniel Craig, que não era o preferido dos bondmaníacos, se enquadrava bem nessa nova realidade. O filme renovou os ares do personagem de Ian Fleming para o formato atual do cinema de ação com câmera documental, ação pertinente e ritmo conspiratório, bem ao estilo Jason Bourne. 
Quantum of Solace vinha com o objetivo de quebrar mais um paradigma. Ao se tornar a primeira continuação de um filme de James Bond. Visto, o longa-metragem de Marc Foster (O Caçador de Pipas) mantém a essência do filme anterior no quesito hiper-atividade, com seqüências agressivas e rápidas, mas perdendo na história, ponto alto de Cassino Royale.

Como se sabe, em Quantum of Solace James Bond (Craig) busca os responsáveis pela morte de Vésper Lynd (Eva Green). Esse espírito vingativo do personagem se materializa em várias mortes no decorrer do filme, com a reprovação de sua superior M (Judi Dench), que pede serenidade ao seu agente.

A parte técnica de Quantum of Solace é bem realizada, especialmente se o espectador procura meras seqüências de adrenalina. 

A narrativa, entretanto, emperra provocando bocejos e desatenção. Falta estímulo para acompanhar a dupla trama de vingança, a segunda protagonizada pela bondgril ucraniana Olga Kurylenko. Pouco importa também as subtramas e os meliantes vilanescos desse novo filme do Agente 007. 


Daniel Craig dá feições pesadas a um personagem historicamente leve. Condiz com a nova filosofia adotada pelos produtores de James Bond e bem realizada em Cassino Royale, que neste Quantum of Solace provoca certa sensação de ranço, espera-se amenizado no próximo filme da franquia. 

Cotação 6,0